Tosar o cachorro no calor ajuda mesmo? Entenda de vez

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O calor chegou e, com ele, uma dúvida muito comum entre tutores: tosar ou não tosar o cachorro no verão?

A resposta não é tão simples quanto parece. Tudo depende do tipo de pelagem do cachorro, da forma como ele perde calor e de cuidados específicos que fazem toda a diferença para a saúde do pet.

Como os cães perdem calor?

Antes de decidir pela tosa, é importante entender como funciona a regulação da temperatura corporal dos cães.

Diferente dos humanos, os cães não suam pelo corpo todo. Eles possuem glândulas sudoríparas apenas nos coxins (as “almofadinhas” das patas), o que não é suficiente para refrescar o organismo.

Os principais mecanismos de perda de calor nos cães são:

· Evaporação: é o principal mecanismo. Acontece pela ofegação, quando o cão fica com a língua para fora. A evaporação da saliva ajuda a resfriar o sangue.

· Condução: ocorre quando o corpo entra em contato com superfícies frias, como piso gelado ou tapetes térmicos.

· Convecção: perda de calor para o ar ao redor, facilitada pelo vento ou ventiladores.

· Radiação: troca de calor com o ambiente. Pelagens claras refletem mais o calor, enquanto as escuras absorvem mais.

Por isso, é comum ver os cães deitados no chão frio ou procurando sombra nos dias quentes.

O pelo ajuda ou atrapalha no calor?

Apesar do que muitos pensam, o pelo não é inimigo do calor. Na verdade, ele funciona como um isolante térmico, ajudando a proteger o cão tanto do frio quanto do aquecimento excessivo causado pelo sol.

A pelagem cria pequenas camadas de ar entre os fios, o que ajuda a manter a temperatura corporal mais estável. Além disso, o pelo protege a pele contra a radiação solar, evitando queimaduras.

Ou seja: tosar nem sempre ajuda o cachorro a se refrescar e, em alguns casos, pode até prejudicar.

Então, devo tosar meu cachorro no verão?

Depende do tipo de pelagem.

· Cães de pelo curto

Raças como Beagle, Labrador, Boxer, Pinscher e Dálmata não precisam ser tosadas. O pelo curto já oferece proteção suficiente.

O ideal é manter banhos regulares e escovação frequente, especialmente nos períodos de troca de pelos.

· Cães de pelagem dupla (pelo térmico)

Raças como Husky Siberiano, Spitz Alemão, Chow Chow, Samoieda, Pastor Alemão e Border Collie não devem ser tosadas por completo. Esses cães possuem uma pelagem dupla, com subpelo denso, adaptada para climas frios. A tosa baixa pode causar um problema sério chamado alopecia pós-tosa, além de deixar a pele mais exposta ao sol. Nesses casos, o melhor é escovação frequente e tosa apenas higiênica

· Cães de pelagem crespa ou ondulada

Raças como Poodle e Bichon Frisé podem se beneficiar de uma tosa moderada, já que os pelos dificultam a circulação do ar. A tosa ajuda no conforto térmico e também na higiene.

· Cães de pelo longo. Aqui há dois grupos:

Sem subpelo (Yorkshire, Maltês, Lhasa Apso): a tosa pode ser feita, mas com cuidado para não deixar a pele muito exposta ao sol.

Com subpelo (Cocker Spaniel, Golden Retriever): a redução do volume dos pelos ajuda na ventilação, mas sem remover totalmente o subpelo.

Como ajudar o pet a se refrescar no calor?

Existem outras formas muito mais eficientes de aliviar o calor do pet:

· Ofereça água fresca sempre disponível

· Espalhe mais potes de água pela casa

· Use pedras de gelo para manter a água fresca

· Disponibilize tapetes gelados ou pisos frios

· Utilize ventiladores ou ar-condicionado

· Evite passeios nos horários mais quentes (prefira antes das 8h e após as 18h)

· Ofereça petiscos ou sorvetes próprios para cães, como frutas congeladas

Atenção aos sinais de superaquecimento

Fique atento, principalmente em cães idosos, obesos ou braquicefálicos (como Pug, Bulldog e Shih Tzu). Procure um veterinário imediatamente se notar:

· Ofegação intensa

· Fraqueza

· Vômitos

· Desmaios

· Convulsões

Em muitos casos, o pelo protege mais do que atrapalha. O mais importante é entender o tipo de pelagem do seu cachorro e sempre contar com a orientação de um médico-veterinário.

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